Geliane Gonzaga
Precisamos sem dúvida produzir cidadania, papel
primordial em um processo educacional. Muitos dos moradores no
entorno da escola, não tem sequer a noção e consciência de seus
direitos. Tem a saúde como um favor desse ou daquele prefeito que
abriu ou ampliou o posto de saúde, criando uma clientelismo político
que garante eternas reeleições em diversos cargos públicos. O
mesmo acontece com a educação, que hoje distribui material escolar
de forma gratuita criando uma ideia de boa educação, já que a
maioria dos pais dos atuais alunos precisavam comprar o lápis, o
caderno dentre outros, mas falta despertar na comunidade os valores
políticos de pano de fundo em que a população submete-se e
aplaude. Em uma verificação rápida, percebemos pais satisfeitos
com a política educacional do governo estadual mas não conseguem
verificar a carência que todo o processo gera nos seus filhos,
principalmente no momento fundamental do vestibular. Alias, para a
maioria das famílias essa possibilidade de ensino superior nem mesmo
é cogitada, no máximo um ensino técnico que apenas qualificará o
filho da periferia a ser explorado com melhor qualificação pelo
filho das áreas centrais, melhor preparada para os processos de
gestão e condução dos periféricos em uma eterna e constante
divisão entre dominantes e dominados. É preciso conscientizar essa
população, prepará-la não apenas nas disciplinas acadêmicas,
mais principalmente para seus direitos e deveres, principalmente no
que se refere ao abandono de seus filhos na escola, como se a escola
apenas tivesse que contribuir para a função social de creche que na
prática acaba acontecendo. É necessário informar e cobrar dos país
a responsabilidade de acompanhamento de desempenho, formação de
seus filhos, e isso, passa necessariamente em esclarecer abertamente
a todos a sua função constitucional em relação ao filho e trazer
o poder público para assumir sua parcela. É comum vermos casos onde
o aluno necessita de amparo médico especializado no que se refere ao
seu comportamento e o poder público não oferecer tal serviço ao
alcance da família, já que esse tem problemas de transporte dentre
outros, e também a família não ser responsabilizada pelo abandono
do aluno ao se omitir de tratamento dentre outras obrigações morais
e legais, deixando na escola alunos que por questões de
comprometimento, comportamento e limitações físicas/emocionais,
são indivíduos totalmente inaptos para o ambiente social/ escolar.
Falta limite, tratamento e responsabilidade por parte de pais e
alunos. A escola não tem a capacidade de ser uma redentora social na
qual a omissão do poder público imputa a ela.
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